O trabalho dos serviços de urgência consiste no atendimento não planeado de doentes, com uma ampla gama de situações, maioritariamente urgentes, agudas e com risco de vida associado.

Estas unidades ambicionam encontrar o equilíbrio entre ter recursos – humanos e logísticos -suficientes para conseguir fazer face a um aumento inesperado da procura, conjugado com a redução de práticas que usam mais recursos do que o necessário.

De forma a melhor planear os serviços e a sua qualidade, torna-se vital reunir informação sobre possíveis variações na entrada de doentes. Estas admissões acontecem por variados motivos, como eventos agudos, falta de alternativas ou simples preocupação, e todas têm diferentes tempos, motivações e dinâmicas.

Este cenário revela-se um desafio muito complexo, com grande impacto na qualidade dos cuidados, e levou à criação de um projeto que visa identificar os principais fatores que motivam a corrida às urgências.

Atualmente está a ser desenvolvido um projeto pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, com colaboração da Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, para conseguir recolher e relacionar dados de diferentes áreas que são determinantes na previsão dos fluxos de recurso aos Serviços de Urgências.

 

Contributo de dados clínicos e não clínicos

Recorrendo à ciência de dados e aprendizagem de máquina para estudar os picos das variações nas urgências e possíveis fatores que os prevejam, através da análise dos media, redes sociais, “doutor google”, meteorologia e simulação de texto para desenvolver um algoritmo de previsão simples em tempo real, proporciona aos decisores a redução da incerteza da procura, apoiando o planeamento e a gestão dos serviços.

O modelo que está em conceção revela um melhor desempenho do que os modelos estatísticos convencionais, uma vez que recolhe e aprende automaticamente com interações entre dados que eram previamente desconhecidos.

Com a aplicação futura do modelo, os profissionais de saúde poderão monitorizar os riscos apresentados pelos pacientes, e adotar medidas proativas para evitar idas não planeadas às urgências. Soma-se a redução dos tempos de espera, a melhoria do atendimento e a chamada de atenção de decisores, investigadores e profissionais de saúde para esta problemática.