O crescimento da resistência antimicrobiana deve-se em muito ao uso inadequado de antibióticos. Estima-se que, em 2050, uma pessoa poderá morrer a cada três segundos se a resistência antimicrobiana não for resolvida agora.

Esta questão representa uma das principais ameaças à saúde humana, com a diminuição da eficácia dos tratamentos, o prolongamento das doenças, o crescimento do número de hospitalizações e o aumento da mortalidade. Torna-se, assim, urgente criar um plano de ação para alterar a tendência.

 

Como agir?

Um projeto desenhado em parceria pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e o Instituto Gulbenkian de Ciência visa implementar métodos para identificar prescritores inadequados e acompanhar tais prescrições para padronizar comportamentos. Posteriormente, trabalha-se numa estratégia para identificar padrões atípicos de prescrições, após analisar diversas variáveis, e criar um mecanismo para reduzir as discrepâncias.

Esta problemática da prescrição inadequada tem origem em fatores múltiplos, como a incerteza do diagnóstico, a pressão exercida sobre os médicos pelos doentes e familiares, o excesso de consultas diárias, que dificulta a precisão do diagnóstico e terapêutica. Soma-se, ainda, a automedicação dos doentes com antibióticos usados em tratamentos anteriores ou obtidos na farmácia, e ainda a toma inadequada, em doses diferentes e períodos diferentes dos prescritos.

Após estudar várias estratégias, verificou-se que o envio de diretrizes claras aos médicos para o uso e prescrição de antibióticos aliado ao visionamento da posição em que se encontram em comparação com os colegas mostrou ser a mais eficaz.  Esta abordagem permitirá avaliar a prescrição – excessiva, diminuta ou inadequada – dos antibióticos, contribuindo para a redução da resistência.