Qual o atual panorama?

Nos dias que correm, a telessaúde ganha cada vez mais destaque e importância, pelo facto de permitir que doentes e profissionais de saúde estejam em contacto, ainda que fisicamente distantes. De facto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a telessaúde é uma ferramenta chave para providenciar cobertura de saúde universal e para uma melhor integração de cuidados, tendo como um dos principais benefícios permitir que, independentemente de onde estejam localizados geograficamente os doentes, todos tenham a mesma possibilidade de acesso a cuidados de saúde, para além da uniformização de processos e práticas clínicas.

A Inteligência Artificial (IA), por sua vez, tem um contributo relevante a dar no apoio à decisão clínica, na otimização de recursos e capacidade instalada, na melhoria da journey do cidadão e seu contacto com instituições, bem como na antecipação de estados de saúde quer do indivíduo, quer na saúde pública, adianta também a OMS.

Foi tendo em conta este enquadramento que a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) e a Glintt, numa parceria científica com a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e com o apoio institucional dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), realizaram a 1.ª edição do Barómetro da Adoção da Telessaúde e de Inteligência Artificial.

 

Objetivos do Barómetro

Este estudo foi desenvolvido tendo como base dois grandes objetivos: por um lado, compreender o nível de adoção e de maturidade da telessaúde e da Inteligência Artificial nas instituições do sistema de saúde português, identificando áreas de potencial utilização; e, por outro, clarificar os pontos críticos – facilitadores e barreiras – para a sua adoção e utilização.

 

Os resultados obtidos foram analisados seguindo uma divisão por áreas – telessaúde e Inteligência artificial.

 

Telessaúde

Verificou-se que 75% das instituições inquiridas e 87% do universo dos hospitais do SNS tem pelo menos um projeto implementado na área de telessaúde.

Os resultados demonstraram que, por área de aplicação, telerastreio é a área de telessaúde mais utilizada (44%), seguida da teleconsulta síncrona (36%) e do telediagnóstico (36%). Os hospitais do SNS prestam mais serviços de telemonitorização na insuficiência cardíaca (13%) e na diabetes (13%).

53% dos inquiridos destaca a telessaúde como uma prioridade da sua instituição, e 47% considera que promove a relação utente – profissional de saúde. 96% considera que a telessaúde desempenha um papel muito importante na monitorização remota de doentes crónicos, 75% considera que esta permite uma redução das readmissões hospitalares, e 87% considera que a partilha de dados clínicos por telemedicina promove a adequada orientação e adesão à terapêutica dos utentes.

 

Barreiras vs facilitadores

  • 61% das instituições aponta como principal barreira ao desenvolvimento da telessaúde a infraestrutura tecnológica (42% aponta a cobertura de banda larga e acesso à internet reduzido)
  • 53% das instituições considera como principal barreira a baixa literacia em telessaúde
  • 44% aponta a baixa motivação na adoção de telesaúde por parte dos profissionais de saúde.

No que diz respeito aos facilitadores na adoção da telessaúde, destaque para:

  • Motivação na adoção de Telessaúde dos profissionais (67%)
  • Infraestrutura tecnológica adequada (64%)
  • Fácil adaptação às novas tecnologias por parte dos pacientes (42%)

 

Inteligência Artificial

Na área da Inteligência Artificial, 47% das instituições afirmou ter pelo menos um projeto em fase piloto ou implementado.

Olhando para o “top 3” das áreas com projetos em fase piloto ou implementado, destacam-se a transcrição de voz (25%), o agendamento de atividades clínicas (14%), e a interpretação e extração de informação clínica (11%). De referir, ainda, que o agendamento de atividades clínicas e a interpretação e extração de informação clínica são, também, as áreas com mais potencial, a par da avaliação/estratificação do risco.

 

Barreiras vs facilitadores

  • Para 44% das instituições, a ausência de profissionais com formação e a inexistência de infraestrutura tecnológica são as duas principais barreiras à adoção de IA
  • 33% das instituições aponta a ausência de recursos financeiros

Quanto aos facilitadores:

  • 58% considerou como facilitador da adoção da IA a inclusão da sua utilização no plano estratégico da instituição
  • 50% vêm-na como uma oportunidade para formação
  • 33% indicou a disponibilidade e a qualidade dos dados

 

Para aceder ao conteúdo na íntegra do Barómetro da Adoção da Telessaúde e de Inteligência Artificial, basta clicar aqui.