Vivemos numa era digital, a tecnologia faz parte do nosso quotidiano e, por isso, a cibersegurança está cada vez mais na ordem do dia.

De acordo com os dados recentemente divulgados pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNS) no Boletim do Observatório de Cibersegurança, o número de incidentes relacionados com cibersegurança subiu 176% em março, face ao período homólogo em 2019. “As campanhas de phishing aproveitaram o confinamento para simular serviços digitais que têm um maior consumo e fidelização, como, por exemplo, serviços de homebanking, conteúdos digitais em streaming e lojas online”, revelou o CNS.

 

Perceções e preocupações

Para aferir a perceção da população sobre cibersegurança, a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, em parceria com a Intercampus, realizou mais uma nova edição do Barómetro APAV/Intercampus. Procurou-se identificar os seguintes temas:

 

  • Frequência de acesso à internet
  • Atividades que realiza online
  • Perceções sobre cibersegurança
  • Perceções sobre cibercrime
  • Estruturas de apoio a vítimas de cibercrime

Praticamente a totalidade da amostra acede à internet a partir de PC’s/computador/laptop ou smartphone, sendo que uma grande maioria está sempre ligada em casa (60%), no local de trabalho (50%) ou em qualquer local (37%).

As atividades mais realizadas são a consulta de e-mail, o acesso a redes sociais e a leitura de notícias. 94% costuma ter atividade online com alguma frequência, como por exemplo compra/venda de bens e/ou serviços e/ou utilizar serviços de banca online.

No que concerne às principais preocupações com a utilização de internet, mais de três quartos refere que não fornece informação pessoal, não abre e-mails de remetentes desconhecidos, preocupa-se com a utilização de antivírus e usa passwords mais complexas. No entanto, apenas sensivelmente metade dos inquiridos alterou as suas passwords nos últimos 12 meses.

No que diz respeito ao cibercrime, 13% dos inquiridos, com maior incidência no escalão etário mais elevado, considera que está pouco ou nada informado sobre os riscos do Cibercrime, contrapondo com os 24% que considera estar bastante bem informado quanto aos riscos inerentes. Mais de metade considera ter alguma informação, e são principalmente as pessoas acima dos 55 anos que se consideram menos bem informadas.

E-mails ou chamadas fraudulentas, ataques aos dispositivos por meio de softwares maliciosos e burlas online são as situações mais referenciadas com experiência pessoal ou de familiares, amigos e/ou conhecidos.

Apenas 10% dos inquiridos declara ter conhecimento de alguma estrutura em Portugal que preste Apoio a Vítimas de Cibercrime. Apenas 17% dos inquiridos refere conhecer a Linha Internet Segura, sendo que 7% já dos que conhecem já contactou ou conhece alguém que tenha contactado.

De entre os inquiridos que têm crianças ou jovens com menos de 16 anos a seu cargo, a monitorização da atividade online da criança é a ação mais adotada como medida de segurança, sendo que 42% refere também usar controlos parentais no browser de internet.