Uma startup necessita sempre de financiamento, para garantir o futuro da sua existência e da sua atividade, sendo que uma das formas de investimento empresarial, com o objetivo não só de financiar, mas também de apoiar o desenvolvimento e crescimento de jovens empresas, startups, e investimentos de risco com elevado potencial de rentabilização, é o Capital de Risco.

A angariação de uma ronda de investimento junto de entidades desta esfera é um processo em que a forma como o processo é estruturado, como é habitual, poderá afetar o seu percurso e o resultado final.
Surgem desde logo uma série de questões no início de uma nova ronda de investimento: “Quando começar? Como começar? Quem contactar? Como contactar? O que fazer e o que não fazer?”. Seguem algumas recomendações, dicas e truques, que se baseiam em boas-práticas do mercado e que poderão ajudar no arranque deste processo.


First thing´s first: Como começar?

O objetivo é encontrar o investidor que melhor se adequa à empresa em questão.
Para isso, é fundamental que o investidor acredite no sucesso da ideia e solução apresentada, mas ao mesmo tempo o projeto deve enquadrar-se na tese e no fundo de investimento do potencial investidor.

Uma boa metodologia será iniciar o mapeamento simples do mercado.
As informações são públicas e estão disponíveis online através de muitos sites especializados, como é o caso do Crunchbase, lista de Venture Capital da Serena Capital, Gust, Signal, Pitchbook (modalidade paga). A participação em eventos e networking também pode ajudar a obter os contactos e as ligações necessárias para futuras interações. Nesta fase, as principais informações a obter dizem respeito ao estágio em que o investidor investe, preferências geográficas, áreas de interesse e setores, valor médio de investimento, se habitualmente são os investidores-líder nas rondas de investimento e informações sobre os fundos que gerem. Poderá ainda ser relevante obter informação sobre os últimos investimentos feitos pelo investidor em termos de volume de negócio, setor de atividade e data.

Inicia-se o processo com a definição de uma lista de targets.
Que é nada mais nada menos que uma lista A e B de investidores, com perfil e racional para investimento (incluir, se disponível, um conjunto de investidores em que possa sindicar o investimento) e planeamento sobre a abordagem aos investidores-chave da lista A e a “abordagem genérica” para os investidores da lista B.

Numa segunda fase ocorrem as reuniões iniciais e follow-ups.
Na primeira reunião deve fornecer uma introdução ao negócio, à visão e objetivos estratégicos, assim como aos motivos por que acreditam que este negócio é adequado à sua estratégia de investimento, enquanto na segunda reunião e nas seguintes devem ser tratados temas como due diligence e validação dos principais fundamentos do negócio. Se tudo correr bem há uma oferta indicativa (Letter of Intent) enviada por parte do investidor e inicia-se a fase de negociações.

Com este cronograma, o momento ideal para iniciar o processo de ronda de investimento será entre 6 a 9 meses antes do fim do runway da empresa.

A Essência de um bom Pitch Deck

É fundamental ter um Pitch Deck sólido, que se possa ajustar e melhorar ao longo do processo, para iniciar contactos e interações com os investidores, – não deve ter mais que 15 slides e os seguintes tópicos devem ser abordados:

  • Problema que o produto/serviço da startup procura resolver
  •  Tamanho do mercado a endereçar/ problema (números)
  • Solução – como o produto funciona e de que forma resolve o problema
  • Concorrentes e fator de diferenciação
  • De que forma a startup ganha dinheiro ou planeia fazê-lo
  • Estágio atual e expetativas de crescimento
  • Plano de rondas de investimento futuras com valores e recursos

O que é preciso para ser um bom fundraiser?

Os traços da personalidade de cada empreendedor são igualmente importantes para conseguir uma ronda de investimento. Algumas das características que se devem evitar para criar um relacionamento estável e frutuoso com os investidores desde a primeira interação, são os chamados DONT’s:

  • Não seja desonesto em nenhuma circunstância
  • Não seja arrogante ou hostil
  • Não seja excessivamente agressivo
  • Não mostre ser indeciso – embora seja normal dizer que ainda não sabe
  • Não fale demasiado que impeça que os outros tenham a palavra
  • Não seja moroso no follow-up ou a fechar o negócio
  • Não quebre um acordo, verbal ou escrito
  • Não apresente números desfasados do mercado sem uma justificativa clara
  • Não diga que sabe algo que não sabe ou não tenha medo de dizer que não sabe
  • Não perca tempo com o óbvio
  • Não se prenda com detalhes sem importância – não deixe a reunião fugir do seu controlo
  • Não peça um NDA a menos que tenha a informação sobre proteção de Proteção Intelectual
  • Não tente “driblar” investidores quando não é perito em levantar de rondas de investimento
  • Não avalie excessivamente a sua empresa nem se preocupe extraordinariamente com a sua diluição

O fundraising para uma startup é um período especial com muitos altos e baixos e igualmente muitos obstáculos a enfrentar pelo caminho, mas se for feito da forma correta é a chave para o sucesso e o crescimento do negócio.

by Orsolya Ferreira | Portugal Ventures